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Dica para formar glissandos em tonalidades maiores

terça-feira, 27. março 2012 4:21

Aprendi um macete com a harpista Eleanor Fell de como montar glissandos em tonalidades maiores que gostaria de compartilhar com vocês. É bem simples e podem ser montados sem muita matemática, apenas entendendo como funcionam as armaduras de clave.

Não vou entrar em detalhes aqui de como se monta uma armadura de clave e nem como ela funciona na formação de cada tonalidade, portanto esta publicação exige um conhecimento avançado de teoria musical, se você que está lendo aqui, não adquiriu ainda este conhecimento, não leia esta dica agora, pois poderá confundir sua cabeça.

Quem já estudou as armaduras de clave conhece bem (de cór) a ordem dos acidentes na armadura de clave:

Si  Mi  Lá  Ré  Sol  Dó  Fá      - para as tonalidades em Bemol ( ♭ )

Fá  Dó  Sol  Ré  Lá  Mi  Si      - para as tonalidades em Sustenido ( # )

Usando desta ordem que bem conhecemos, vamos aprender uma fórmula para criar glissandos tonais.

Vamos à fórmula:

Polarizar o último acidente da armadura e o acidente que viria logo após  na sequencia.

Polarizar = trocar o que é ♭ para # e o que é  # para ♭

 

Agora você só precisa saber qual a armadura de clave da tonalidade que você se encontra e assim, aplicar a fórmula em cima dela.

Exemplo: Tonalidades em bemóis:

 

Tonalidade de Lá♭ Maior:

A sequencia dos acidentes na tonalidade de Lá♭ Maior é: Si♭ Mi♭ Lá♭ Ré♭

Pela fórmula, vamos polarizar o último acidente da sequencia que é o Ré♭ (deixando-o Ré#), e o próximo acidente que seria o Sol♭ (deixando-o Sol#)

Abaixo vemos como ficariam os pedais.
Obs: o acidente em parênteses indica o próximo acidente na sequencia que não faz parte da armadura da tonalidade mas que também deve ser polarizado.

 

 

 

 

 

Outro Exemplo: A sequencia dos acidentes na tonalidade de Si♭ Maior é:  Si♭ Mi♭

Polarizamos o Mi♭ (que é o  último acidente da tonalidade) para Mi# e o próximo da sequencia que é o Lá♭ (trocamos para Lá#)

 

 

 

 

Exemplos em #:

 

Tonalidade de Lá Maior: A sequencia dos acidentes na tonalidade de Lá Maior é: Fá#  Dó#  Sol#

Vamos polarizar o último acidente da sequencia que é o Sol# (deixando-o Sol♭),  e o próximo acidente que seria o Ré# (tornando-o Ré♭)

 

 

 

 

 

 

Tonalidade de Mi Maior:

A sequencia dos acidentes na tonalidade de Mi Maior é: Fá#  Dó#  Sol#  Ré#

vamos polarizar o último acidente da sequencia que é o Ré# (deixando-o Ré♭),  e o próximo acidente que seria o Lá# (tornando-o Lá♭)


Faça o treinamento no instrumento com os pedais e toque logo após o glissando para ouvir o glissando já na tonalidade.

Se você treinar bastante, terá capacidade de montar os glissandos de forma automática e rápida.

 

Só um pequeno detalhe: A armadura de clave de Dó Maior não tem acidente nenhum, portanto iremos polarizar o primeiro acidente da turma dos bemóis e o primeiro acidente da turma dos sustenidos (é uma exceção ok?)
Ficamos assim então:

O primeiro acidente da turma dos bemóis é o Si♭ (polarizamos para Si#) e o primeiro acidente da turma dos sustenidos é o Fá# (polarizamos para Fá♭)

Ficando assim:

 

 

 

 

 

O que estamos fazendo com isso?
Estamos eliminando de forma automática o 4º e o 7º das escalas, o resultado é funcional em qualquer tonalidade.

Espero que essa regrinha ajude.

Por Angélica Vianna.

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Partituras nos Tablets

quarta-feira, 16. março 2011 2:08

Gosto muito de acompanhar a tecnologia e com ela imaginar as melhorias e ganhos que podemos ter profissionalmente.

Os tablets novos no mercado me chamam atenção pela praticidade e mobilidade que eles tem. Hoje já existe uma forma de ler partituras pelos Tablets que acredito ser muito promissora.

Vantagens:

  1. Ter com você todas as suas partituras em um aparelho que pesa menos do que 700 gramas e cabe perfeitamente na sua estante.
  2. A tela é iluminada, portanto não tem dificuldades de leitura se o ambiente for escuro, aliás a tela iluminada ajuda a visualização a ficar mais clara, facilitando a leitura.
  3. Passar páginas é fácil e rápido, inclusive já existe a possibilidade de trocar paginas através de pedais sem cabos e via Bluetooth veja em: http://airturn.com/. Nós harpistas tiraríamos de letra.
  4. Trabalhos externos não terão problemas com partituras voando com o vento.
  5. Você pode organizar suas músicas por ordem alfabética e achar tudo o que precisa rapidamente através do search.
  6. O tamanho das notas no ipad é perfeito para leitura, não é pequeno como podemos supor.
  7. Nos Tablets você pode ter afinador eletrônico, metrônomo e até medidor de decibéis.
  8. Troca de partituras via Bluetooth com os colegas (no Ipad só se o tio Jobs um dia permitir)

Encontrar músicas na net será muito mais rápido do que aguardar semanas para receber a partitura em casa. Veja este site de partituras já prontas para ipad sheet music

Desvantagens:

  1. Apenas uma página por vez.
  2. A bateria pode acabar, mas quanto a isso basta levar o cabo de energia com você por medida de segurança
  3. Algumas crianças podem querer brincar com o seu Tablet enquanto você está no intervalo, aliás, você mesmo pode querer brincar com ele.
  4. Você terá um pouco de trabalho até transformar toda a sua biblioteca em arquivos para Tablet, as partituras prontas ainda são raras. Ler em pdf no tablet é possível mas não é a melhor experiência.

Veja vídeo no Youtube para ter uma idéia:

httpv://www.youtube.com/watch?v=lR5uFHywOMk&feature=related

 

Novas formas irão surgir e tenho certeza que em pouco tempo poderemos usar dois tablets em conjunto para ler duas paginas ao mesmo tempo e as orquestras estarão utilizando estantes de tablets (as próprias estantes poderiam ser o monitor) via rede, quais seriam as vantagens?

  • Seria muito mais fácil para a administração enviar a partitura ao músico, apenas sincronizando todos os tablets/estantes.
  • O espala poderia colocar suas marcações e estas seriam automaticamente adicionadas a todas as estantes
  • Apenas um comando para a virada de página de todas as estantes do mesmo naipe.
  • Correções das partituras seriam facilmente efetuadas pelo maestro diretamente do seu monitor fonte.

Será que viveremos para ver isso? Alguém quer dar outras sugestões de uso? só comentar o post.

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Uma legítima harpa Cromática Pleyel sem pedais

sábado, 20. novembro 2010 20:11

Muito legal, nunca tinha visto uma em ação, pra quem não conhece, as Harpas Cromáticas de Pleyel foram instrumentos muito difundidos na Bélgica e Paris no final do século XIX e inicinho do seculo XX. Debussy escreveu suas Dansas Sacras e Profanas comissionado para este intrumento.  No entanto, a complexidade da extrutura do instrumento pra suportar a tensão das 74 cordas não permitia que o instrumento produzisse som forte o suficiente para competir com a harpa de pedais, além de serem instrumentos muito pesados. Também não produziam glissandos enarmonizados (em vários tons) característica principal da harpa de pedais que nenhum outro instrumento acústico consegue fazer.
A única vantagem do instrumento era a facilidade em se modular e tocar cromatismos rápidos porque todas as notas da escala estavam lá sem necessidade de uso de 7 pedais como as harpas de hoje.

Este tipo de harpa caiu em desuso, mas por longos anos ainda era obrigatório no Conservatório de Paris. Hoje me parece que ainda existe o curso no Conservatório de Bruxelas, mas apenas com instrumentos bem antigos.

A harpa Cromática de Pleyel não tinha pedais (apenas um para o abafador).  Todas as notas da escala são dispostas em duas carreiras de cordas que se cruzam ao centro do instrumento.

A carreira diatonica é a que vai da esquerda da caixa de som até a direita do pescoço (correspondem as notas brancas do piano) e a carreira que vai da direita da caixa de som até a esquerda do pescoço são as cordas pretas (correspondem as notas pretas do piano).

Procurem por mais videos no Youtube, tem outros bem interessantes com músicas cromáticas que ficaríamos doidos se tentássemos tocar numa harpa moderna de pedal.

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Lesões musculares, cuidado!

terça-feira, 7. setembro 2010 19:41

A posição da harpa não é muito anatômica, o harpista precisa se sentar numa posição reta na ponta do banco com pouco suporte para as costas e pouco apoio dos pés por causa da movimentação dos pedais. O harpista precisa sustentar o braço com movimentos precisos das mãos e dedos por horas a fio. Esses fatores podem provocar vários estresses pouco naturais ao nosso corpo. Alguns harpistas também se contorcem para ajustar a estrutura da harpa sem se sentirem nem um pouco confortáveis, mas se habituando a posição torta por toda a vida.

Somos nós que devemos identificar os fatores prejudiciais para saber se podemos ajustar nossa forma de tocar, posição ou estilo de vida para melhorarmos as condições e o corpo não sofrer tanto com os longos estudos diários.

Os grandes vilões para os musicistas são, o conhecido LER (lesão por esforço repetitivo), Tendinite e Bursite. Geralmente relacionados ao stress, tanto físico (uso exagerado dos músculos ou lesões já existentes) ou psicológico (pressão psicológica, medo de palco, concentração exagerada, preocupações e problemas diários). O corpo geralmente é suscetível a stress quando sofre com a falta de balanço do corpo. Quando os músculos estão tensos demais ou relaxados demais podem causar uma falta de balanço na estrutura corporal, mesmo quando a posição parece estar correta.

Existem várias causas do LER, Tendinite e Bursite comuns que podem ser citadas: como o aumento drástico do tempo de estudo por causa de um prazo curto sem tempos programados de descanso (brakes) ou performances muito prolongadas em ambientes onde o retorno auditivo é fraco (e o músico acaba dando mais do que precisa) e até mudança de professor e técnicas novas mal aplicadas. Também existem as outras mais difíceis de serem identificadas, como má postura, técnica ou fatores psicológicos como baixa-estima e nervosismo. Fora do instrumento, também existem outros fatores que podem prejudicar, como o uso de computadores, jogos eletrônicos, alguns hobbies e esportes.

Fatores de Risco:

É importante avaliar o seu grau de resistência para fatores que causam dores musculares, como o quanto você leva uma vida sedentária sem atividades físicas e seu grau de resistência e força para o estudo diário.
Exercícios cardiovasculares, musculares, alimentação correta e dormir bem podem aumentar sua resistência para o estudo e consequentemente diminuir suas chances de adquirir problemas físicos.

É importante avaliar também sua condição de saúde – diabetes, stress e escoliose podem agravar as chances de adquirir os sintomas da LER e Tendinite. Da mesma forma, medicamentos como analgésicos que esteja tomando para outras prescrições podem mascarar os sintomas da LER e da Tendinite sendo muito perigoso, já que você não sabendo do sintoma, continuará forçando e consequentemente piorando os efeitos a longo prazo.
Drogas e álcool também tem o mesmo efeito, distorcendo sua percepção de dor. O cigarro contribui para a diminuição da corrente sanguínea que é vital para a movimentação saudável dos músculos.

Para finalizar, avalie o tanto de stress psicológico você tem sofrido com o estudo da harpa. Concursos, Recitais, Master-Classes, provas e demandas de perfeição por  professores ou maestros podem causar stress crônico. Sua saúde mental tem efeitos sobre o seu corpo e podem contribuir para a tensão muscular, principal vilã do LER e da Tendinite.

Prevenção física: Trate seu estudo como o treino de um atleta.

Os problemas crônicos físicos podem ser evitados com cuidados simples diários de prevenção.

  1. Aprendizado de técnicas de relaxamento.
  2. Alongamentos antes e após o estudo e apresentações.
  3. Técnicas de respiração controlada
  4. Aumento de resistência com exercícios diários como natação, aeróbica, caminhadas e musculação (sob supervisão profissional)
  5. Descansos regulares durante o estudo. Pelo menos de alguns minutos a cada hora de estudo (dependendo da sua resistência). Pensamos que isso poderá interromper nossa concentração, mas poderá prevenir fadiga ou dano muscular.
  6. Estudo em ambiente apropriado, silencioso e que permita boa concentração.

Se está vindo de umas férias ou se recuperando de uma doença, comece devagar e vá aos poucos entrando no ritmo de trabalho.

Lembrem-se que aquelas maratonas de estudos que geralmente tomamos em vista de uma grande apresentação ou concurso precisam ser monitoradas por nós mesmos, já que não possuímos técnicos nos observando 100% do nosso estudo como costumam ter os atletas. As consequências que podemos ter por não medirmos corretamente nossos riscos podem sacrificar nossa carreira gravemente.

Observe de onde pode estar vindo tensão no seu estudo e tente anular qualquer ponto de stress que seu corpo possa estar exercendo sem necessidade. Antes mesmo de puxar a harpa para sua posição, observe se sua espinha dorsal está alinhada, seus ombros estão baixos, sua cabeça e pescoço em pé. Depois puxe a harpa e note se você precisa mudar esta posição em qualquer direção para tocar. Você precisa torcer o pescoço e abaixar a cabeça? precisa levantar os ombros? arregalar o olho e colocar a língua pra fora? está respirando como um touro enfurecido? tudo isso pode acontecer aleatoriamente, portanto fique de olho, grave em vídeo para observar ou peça ajuda aos parentes.

Se você está sentindo dores no pescoço ou costas, tente ajustar a altura do banco especialmente se você é uma pessoa baixa.

A avaliação de como você está estudando e tocando seu instrumento, será de grande ajuda para diminuir os riscos de adquirir problemas musculares.

Se a dor que você está sentindo não é crônica, mas causada por alguma inflamação passageira em algum trauma que você recentemente levou, trate a lesão como ela deve ser tratada e descanse. As chances desta lesão piorar por persistência no estudo, pode transformá-la em algo crônico, difícil de se resolver. Mas, tenha responsabilidade, nem sempre é possível parar por lesões menos complicadas, com cautela podemos passar por elas sem qualquer agravante.

Se você por qualquer razão está sentindo qualquer sintoma de lesão muscular crônica, não ignore os sintomas, procure um médico. O medo do médico mandar o músico parar de tocar muitas vezes nos leva a um estado tão crítico que precisamos a longo prazo realmente parar de tocar.

Você sente dores nas costas ou dores musculares ao tocar harpa? responda + que uma se desejar

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Comente o seu caso, talvez possamos ajudá-lo a analisar as causas, ou sua experiência pode servir de ajuda a outros colegas.

Por Angélica Vianna.

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Quanto vale o trabalho de um harpista

sexta-feira, 6. agosto 2010 23:48

Para se avaliar verdadeiramente o trabalho de um harpista precisa-se entender todo o processo que nós harpistas enfrentamos para levar a música as salas de concerto.
Somos um grupo pequeno no Brasil que temos muito amor pelo que fazemos. Mas, não é fácil se tornar um harpista.

Tudo que se diz respeito a harpa é caro:

Comprar uma harpa no Brasil mesmo que pra iniciar os estudos é como comprar um carro de luxo a vista:

Não existem harpas (de pedais)  com preços econômicos que possam ser pagos parcelado ou com a nossa própria moeda, assim como podemos comprar violinos, violões ou pianos nacionais, nas lojas. Com harpa isso não existe, mesmo as harpas de pior qualidade, são caríssimas e não são encontradas em lojas brasileiras. Muitos profissionais demoraram muitos anos para conseguir seu primeiro instrumento, tendo que estudar nos das Escolas de Música ou de colegas ou professores.

A manutenção do instrumento é toda feita com peças importadas e caras assim como são as cordas que usamos. Não conseguimos entrar em uma loja em qualquer capital brasileira e encontrar cordas de harpa a venda. Tudo tem que ser importado por nós mesmos, com todas as taxas e ICMS aplicados sem dó.

Estudar harpa no Brasil é complicado:

Também pela falta de instrumentos no país, nem todos os Estados brasileiros contam com escolas de harpa. Ou não tem professor, ou não tem o instrumento para oferecer o curso. Muitos apaixonados pelo instrumento não tem outra escolha senão viajar kilometros de distancia para ter uma única aula de harpa; minha mãe, precisou, durante 2 anos dos seus estudos, viajar de 15 em 15 dias de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro para ter aulas de harpa com a professora Acacia Brazil de Mello da UFRJ porque em Belo Horizonte não tinha professor de harpa. Histórias como esta de esforço e loucuras para se aprender a tocar harpa são comuns aqui no Brasil, cada harpista tem uma história pra contar, uma dificuldade que teve que enfrentar para um dia, oferecer sua música para a sociedade.

Transportar o instrumento é trabalhoso e arriscado

A harpa é um instrumento grande e delicado, não dá pra transportar em qualquer veículo, tem que ser um que o acomode bem e não o deixe em má posição, pois isso pode prejudicar sua estrutura. A maioria dos harpistas contratam transportadoras, para que a harpa seja transportada por carros mais apropriados do que possui e por contar com ajudantes mais fortes já que o instrumento é pesado e desajeitado para ser carregado por uma pessoa só. Mesmo assim, os riscos da harpa arranhar ou quebrar durante o transporte são muito grandes.

É comum o harpista cobrar aluguel do instrumento (incluindo transporte) quando se apresenta com alguma orquestra que não possui harpa. Assim como pianos e percussão, as orquestras tem que possuir harpas em seus acervos, pois os harpistas não podem doar seu instrumento para ficar permanentemente nas salas das orquestras. Seria também inviável movê-las diariamente para suas casas e de volta aos ensaios como os instrumentos de pequeno porte.

A harpa é um dos instrumentos mais difíceis

Como se não bastasse, harpa é um instrumento muito complexo e difícil de tocar, são poucas as pessoas que possuem talento e conseguem dominar o instrumento com beleza e facilidade.

A harpa é também um dos instrumentos mais incompreendidos numa orquestra, onde os harpistas precisam preparar suas músicas com maior antecedência que outros músicos, para fazer todas as marcações de pedais e sobretudo resolver problemas de partituras mal escritas, que mesmo os melhores compositores encontram dificuldade em escrever dada a complexidade da harpa.

Harpa é um instrumento para eventos de luxo?

Diria que sim, todo este trabalho, os esforços e riscos que corremos com nossos instrumentos são naturalmente refletidos nos orçamentos que cobramos como artistas. Temos todo um investimento previamente produzido e pronto para servir a uma apresentação de harpa. Os produtores de evento não sabem nem a metade do que passamos para apresentarmos este belo instrumento; como disse antes, tudo que diz respeito a harpa é caro e trabalhoso, isso inclui também a nossa apresentação. Geralmente o harpista coloca um valor superior a outros instrumentos para cobrir estas despesas e trabalho extras que possui.

Dito isso tudo, no entanto, acho que o fato que mais valoriza o nosso trabalho é o encantamento que este lindo instrumento causa nas pessoas, sua sonoridade é realmente única e toca os corações além do seu belo e elegante visual que ornamenta qualquer ambiente.

Pagar por uma apresentação de harpa em um casamento ou em um evento, pode ser para poucos, como é nosso esforço para chegarmos onde chegamos, mas precisamos reconhecer nosso valor primeiramente nós mesmos, o que temos muita dificuldade em fazer como artista que somos. Não somos preparados para lidar com isso nas Universidades e sempre esbarramos uma vez ou outra com situações onde não gostaríamos de nos apresentar por não sermos devidamente reconhecidos ou valorizados, ou pior, situações onde você não gostaria que sua harpa estivesse pelos riscos desnecessários que ela pode sofrer.

Por Angélica Vianna

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Regularidade rítmica I

segunda-feira, 10. maio 2010 14:24

Gostaria de abordar aqui um assunto que durante toda a minha carreira e estudos foi um ponto muito importante e que acho fundamental para qualquer formação de músico, a regularidade rítmica.

Hoje focarei no elemento pulsação.

Um dos componentes mais importantes da música, é ela que nos embala e nos faz sentir a música como música. A pulsação é algo extremamente físico.

  • Não podemos reinventar a sensação da pulsação sem respeitar sua física.

Somos nós interpretes que devemos colocar a pulsação para funcionar na música, o que muitas vezes não é uma tarefa fácil para a música clássica porque sua pulsação varia bastante pela quantidade de “ritardandos”, “accelerandos” e afins que ela possui. Portanto, é muito fácil se equivocar dela e criar uma música com pulsação falha e que fatalmente será perdida pelo ouvinte. Pior ainda e muito comum é o intérprete confundir dinâmica com agógica, usando a velocidade como recurso de interpretação (afetada) e destruindo toda a pulsação da música. Na verdade, mais músicos usam deste recurso do que desejaríamos. O resultado é catastrófico, o famoso “interpretar” (entre aspas) é recurso utilizado inclusive para vencer dificuldades técnicas da música, pasmem! Uma música com tal interpretação pode facilmente marear o ouvinte ;-).

Devemos entender que mesmo os ritardandos e os accelerandos das partituras devem respeitar uma lógica física de velocidade que o interprete deve estudar e reproduzir para que a pulsação da música não se perca. Costumo comparar esta análise com o movimento de uma bola sendo jogada para cima:

  • no início há um impulso para se jogar a bola, e é este impulso combinado com o peso da bola que determinará a velocidade que esta irá subir  sofrendo no caminho uma perda de velocidade regular chegando a parar no ar antes da sua queda (até essa parada tem seu tempo). Novamente há uma aceleração regular movida pela lei da gravidade que impulsiona esta bola a uma velocidade progressiva de retorno até sua chegada ao chão.

Existe nesta trajetória uma lógica física imutável calculada por fórmulas matemáticas; na música existe a mesma lógica apenas somos nós que devemos reproduzi-la sem cálculos matemáticos mas com nossa sensibilidade; os accelerandos são motivados por impulsos e os ritardandos respeitam uma lógica natural de desaceleramento.

Isto entendido, ainda há que se prever onde a pulsação “cairá” porque ela não pode se perder, logicamente com uma aceleração ou uma desaceleração a pulsação se desloca, mas este deslocamento deve ser conduzido para não afetar o balanço da música. Portanto, o que determinará  a velocidade e o impulso dos accelerandos e ritardandos será a pulsação e onde ela deverá cair e não o contrário. Ou seja, é necessário sentir primeiro o movimento da pulsação para se determinar o caminho para se chegar até ela.

Ainda para efeitos artísticos, podemos modificar ou intensificar as sensações de movimento, sem fugir dos padrões lógicos da natureza, mas fugindo do que seria matemáticamente lógico, ou seja, podemos por exemplo ampliar a sensação de espera em que a bola se sustenta no ar, um efeito quase que slow motion para o momento musical relacionado ao sentimento (ausente na física material).

Gosto muito de ouvir gravações de grandes intérpretes, principalmente de piano. Nomes como Horowitz e Nelson Freire. Peguem gravações dos grandes mestres (como os exemplos abaixo) e observem o que torna a música destes interpretes especial. Observe como a pulsação está sempre presente e como somos levados a senti-la de forma orgânica e natural onde quer que ela caia, na verdade, a sensação é de que tudo está no lugar certo, que não poderia ser diferente embora não percebamos que tudo ao redor se move para a construção da música e para o feeling da pulsação. É o músico que nos leva a sentir a pulsação, e é o grande músico que nos eleva com ela.

Por Angélica Vianna

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Cordas

segunda-feira, 19. abril 2010 1:31

As cordas são a voz do instrumento, cuide bem delas e obtenha sempre o melhor da sua harpa.

Mantenha sempre um jogo de cordas para emergência. Hoje em dia não é tão difícil importar cordas e elas não são tão caras como antigamente.

Aconselho a manter as cordas emergenciais apenas como emergenciais, se forem trocar todas as cordas da harpa usem um jogo novo. Não faz sentido usar suas cordas velhas de emergência (para reposição completa) e logo ter que comprar outro jogo novo de cordas que será encostado para emergência. Estas cordas novas vão ficar velhas e você estará sempre usando cordas velhas na sua harpa. Eu sei que dá dó usar um jogo novo inteiro para trocar assim de uma vez só, mas o resultado é sempre gratificante.

Verifique a qualidade das cordas

Deslize a ponta dos dedos na cordas para sentir sua qualidade. As cordas boas tem uma superfície bem lisa (sem caroços) e desliza nos dedos com facilidade.  A corda seca (que não desliza com facilidade) pode já não oferecer uma resistência muito boa. Procure utilizar a melhor região da corda na area útil central do instrumento (quando possível) se a corda estiver machucada ou quebrada em alguma região, procure usar essa região para o nó ou para ficar na região acima dos  pinos de apoio. As cordas de tripa são feitas de fibras naturais (tripa de carneiro), a qualidade delas varia bastante, portanto é comum aparecer alguns ciscos visivelmente aparentes, ou alguns carocinhos. Tente evitá-los, mas se aparecer em exagero, reclame.

  • Nem toda corda amarelada está velha, mas toda corda velha fica amarelada.

Guarde suas cordas em saquinhos tipo ziplock (ou os originais que vem da loja) sempre seladas (antes de selar o saquinho tire todo o ar que está lá dentro). Guarde em local protegido do sol e umidade excessiva.

Não deixe suas harpas “cabeludas” (aqueles restos de corda enrolados ou espetando os olhos dos outros), é feio, dá uma impressão de descuido. Corte o restante da corda bem rente ao pino e guarde o que sobrar para futura troca em local apropriado.

Se precisar fazer uma emenda, faça uma emenda apenas se o nó ficar acima dos pinos de apoio, nesta região o nó não prejudicará a sonoridade (figura ao lado).

Ao final deste artigo coloquei o tutorial de como fazer uma emenda segura (a pedidos).

Não utilize fogo para cortar a corda. Tenha sempre um alicate junto as cordas de emergência. O fogo vai esquentar e prejudicar tudo o que está ao redor, mesmo que você não note.

Abaixo vai um tutorial de como dar nós nas cordas de tripa ou nylon da harpa. Este tutorial tem autoria mas está autorizado a ser copiado e utilizado em  salas de aula, ou internet. A autoria é minha (incluindo os desenhos), portanto se usarem, coloquem meus créditos que fico feliz. Para copiar é só clicar com o botão direito do mouse sobre a imagem e esolher salvar imagem como. (aliás, se salvar vai visualizar melhor, que aqui com o layout do blog, a imagem fica distorcida)

Como emendar uma corda

Por Angélica Vianna

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Harpa Celta ou Céltica?

segunda-feira, 15. março 2010 20:22

As harpas que usam chaves manipuladas pelas mãos, no mundo inteiro foram chamadas por muito tempo de harpas Celtas ou Célticas. Hoje, poucos países adotam estes nomes, pois que a denominação dá uma impressão errônea de que o estilo de toda harpa Celta ou Céltica seria provindo do povo Celta. Existem sim, harpas específicas do estilo Celta, mas a denominação começou a ser usada de forma generalizada não para indicar a harpa do estilo de um povo ou tradição, mas para indicar toda harpa de pequeno a medio porte cuja mecânica para obter os semitons fosse através de chavinhas (ou alavancas); muitas fogem ao estilo Celta. Por este motivo, nos EUA a denominação de Non Pedal Harp (harpa sem pedais) começou a ser usada, mas foi duramente criticada pelos profissionais deste instrumento que achavam que o nome dava uma falsa impressão de inferioridade ao instrumento pela falta de pedais. Nomes como Pedal Free (Harpa livres de pedais) vieram em resposta para demonstrar a insatisfação quanto a denominação escolhida;  do lado dos profissionais das harpas de pedais, apareceram nomes como Diet Harp (irônicamente às harpas sem pedais que se denominavam “Pedal Free”).

A nomenclatura criou um briga feia entre os profissionais dos dois estilos de harpa. Lembro-me, enquanto trabalhava na loja de harpas Vanderbilt Music, nos EUA, recebermos ameaças furiosas dos harpistas “celtas” para que tirássemos do catálogo da loja o nome Non Pedal Harp. A explicação para aquele tipo de nomenclatura, no entanto, nos parecia clara, seria toda harpa que não tivesse pedais, portanto incluiria aquelas harpas que não tivessem também as chavinhas. Mas, a pressão foi criando um ar de inimizade entre os grupos, e para apaziguar, entraram em um consenso quanto a denominação deste tipo de harpa nos EUA prevalecendo o nome de Lever Harp (Harpa de chavinhas), não sendo agressivo a nenhuma das partes.

No Brasil, os nomes de Harpa Celta, Céltica, Troubadour, ainda prevalecem em muitos estados, não existindo uma nomenclatura generalizada aceita entre os profissionais. Para as harpas estritamente provindas da cultura Celta, o certo é chamá-las de Célticas de acordo com o Linguista Cesar Nardelli Cambraia, já que essas harpas são feitas, por alguém que não é celta, mas tomando como modelo aquelas feitas por algum celta. A denominação Celta seria para aquelas originalmente feitas pelos Celtas.

O nome mais antigo e tradicionalmente adquirido no nosso país (harpa Celta) me parece mais uma homenagem ao povo celta do que um nome ligado ao estilo dos instrumentos provindos da cultura celta, portanto não me parece menos correto quanto o termo céltica.

Quando falamos de harpa Celta, queremos dizer: aquelas harpas que são de pequeno a médio porte, possuem chavinhas manipuladas pelas mãos para realizar os semitons e possuem apenas uma fileira de cordas. A infinidade de modelos que se enquadram a este estilo é muito grande.

Seria necessário mudar a nomenclatura para que um nome não gere confusão ao leigo como foi feito nos EUA?
Seria necessário uma unificação no termo para que todos os profissionais usem o mesmo, ou talvez possamos continuar a usar o termo diferentemente em cada região, como a mandioca que também se chama aipim e macaxeira?

Qual o nome mais adequado para toda harpa que usa chavinhas manipuladas pelas mãos?

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Por Angélica Vianna

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Projeto de Lei que isenta o músico de adquirir instrumentos musicais sem impostos de Importação

sexta-feira, 5. março 2010 21:49

O maior problema que os harpistas e estudantes de harpa enfrentam aqui no Brasil hoje são as dificuldades em se adquirir instrumentos. Como não temos fabricação nacional e nem lojas que vendam harpas no Brasil, a única forma de comprar uma harpa Sinfônica hoje é através de importação direta. Os impostos de importação no Brasil são caríssimos, quem já enfrentou uma importação sabe que o valor dobra quando o instrumento chega ao Brasil por causa das taxas e impostos cobrados pela Receita Federal.  O que poderia ser o investimento de um carro passa a ser um investimento de um apartamento e nem todos nós temos condições de dispor deste recurso para começar uma carreira ou proporcionar o estudo aos filhos.

Isto contribuiu muito para a redução dos harpistas brasileiros. Os poucos que tem, são teimosos e conseguiram driblar essas dificuldades pelo amor que sentem pelo instrumento, mesmo assim com muita dificuldade. Muitos profissionais ainda carecem de bons instrumentos e poucos estudantes de harpa possuem o instrumento para estudo.

Esta situação pode terminar com o projeto de Lei que está para ser aprovado no Senado. Se esta lei for aprovada, poderemos finalmente pensar em um crescimento profissional por parte dos que precisam de novos instrumentos e um aumento de interesse por parte daqueles que não conseguem hoje comprar um instrumento novo. Escolas de Música poderão oferecer o curso de harpa e Orquestras comprarão novos instrumentos. Tudo vai depender desta lei.

O projeto está em andamento, tenho acompanhado cada passo, estou confiante que será aprovado.

Quem quiser acompanhar acesse o site do Senado: Projeto de lei do senador Mozarildo Cavalcanti

Podemos ver ali o conteúdo do projeto e o encaminhamento dele por parte dos políticos que o tem analisado em plenário.

O projeto não é perfeito, ele exige que o músico seja inscrito na OMB (Ordem dos Músicos do Brasil) entidade que está em extinção. Em São Paulo, por exemplo, este órgão está sendo muito combatido e já não é mais uma exigência aos profissionais da música. A tendência é isso acontecer no Brasil inteiro. Como ficaria portanto esta lei aprovada, com a extinção da OMB?

Fica a dúvida e a esperança, você acredita que a lei será aprovada?

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