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Lesões musculares, cuidado!

terça-feira, 7. setembro 2010 19:41

A posição da harpa não é muito anatômica, o harpista precisa se sentar numa posição reta na ponta do banco com pouco suporte para as costas e pouco apoio dos pés por causa da movimentação dos pedais. O harpista precisa sustentar o braço com movimentos precisos das mãos e dedos por horas a fio. Esses fatores podem provocar vários estresses pouco naturais ao nosso corpo. Alguns harpistas também se contorcem para ajustar a estrutura da harpa sem se sentirem nem um pouco confortáveis, mas se habituando a posição torta por toda a vida.

Somos nós que devemos identificar os fatores prejudiciais para saber se podemos ajustar nossa forma de tocar, posição ou estilo de vida para melhorarmos as condições e o corpo não sofrer tanto com os longos estudos diários.

Os grandes vilões para os musicistas são, o conhecido LER (lesão por esforço repetitivo), Tendinite e Bursite. Geralmente relacionados ao stress, tanto físico (uso exagerado dos músculos ou lesões já existentes) ou psicológico (pressão psicológica, medo de palco, concentração exagerada, preocupações e problemas diários). O corpo geralmente é suscetível a stress quando sofre com a falta de balanço do corpo. Quando os músculos estão tensos demais ou relaxados demais podem causar uma falta de balanço na estrutura corporal, mesmo quando a posição parece estar correta.

Existem várias causas do LER, Tendinite e Bursite comuns que podem ser citadas: como o aumento drástico do tempo de estudo por causa de um prazo curto sem tempos programados de descanso (brakes) ou performances muito prolongadas em ambientes onde o retorno auditivo é fraco (e o músico acaba dando mais do que precisa) e até mudança de professor e técnicas novas mal aplicadas. Também existem as outras mais difíceis de serem identificadas, como má postura, técnica ou fatores psicológicos como baixa-estima e nervosismo. Fora do instrumento, também existem outros fatores que podem prejudicar, como o uso de computadores, jogos eletrônicos, alguns hobbies e esportes.

Fatores de Risco:

É importante avaliar o seu grau de resistência para fatores que causam dores musculares, como o quanto você leva uma vida sedentária sem atividades físicas e seu grau de resistência e força para o estudo diário.
Exercícios cardiovasculares, musculares, alimentação correta e dormir bem podem aumentar sua resistência para o estudo e consequentemente diminuir suas chances de adquirir problemas físicos.

É importante avaliar também sua condição de saúde – diabetes, stress e escoliose podem agravar as chances de adquirir os sintomas da LER e Tendinite. Da mesma forma, medicamentos como analgésicos que esteja tomando para outras prescrições podem mascarar os sintomas da LER e da Tendinite sendo muito perigoso, já que você não sabendo do sintoma, continuará forçando e consequentemente piorando os efeitos a longo prazo.
Drogas e álcool também tem o mesmo efeito, distorcendo sua percepção de dor. O cigarro contribui para a diminuição da corrente sanguínea que é vital para a movimentação saudável dos músculos.

Para finalizar, avalie o tanto de stress psicológico você tem sofrido com o estudo da harpa. Concursos, Recitais, Master-Classes, provas e demandas de perfeição por  professores ou maestros podem causar stress crônico. Sua saúde mental tem efeitos sobre o seu corpo e podem contribuir para a tensão muscular, principal vilã do LER e da Tendinite.

Prevenção física: Trate seu estudo como o treino de um atleta.

Os problemas crônicos físicos podem ser evitados com cuidados simples diários de prevenção.

  1. Aprendizado de técnicas de relaxamento.
  2. Alongamentos antes e após o estudo e apresentações.
  3. Técnicas de respiração controlada
  4. Aumento de resistência com exercícios diários como natação, aeróbica, caminhadas e musculação (sob supervisão profissional)
  5. Descansos regulares durante o estudo. Pelo menos de alguns minutos a cada hora de estudo (dependendo da sua resistência). Pensamos que isso poderá interromper nossa concentração, mas poderá prevenir fadiga ou dano muscular.
  6. Estudo em ambiente apropriado, silencioso e que permita boa concentração.

Se está vindo de umas férias ou se recuperando de uma doença, comece devagar e vá aos poucos entrando no ritmo de trabalho.

Lembrem-se que aquelas maratonas de estudos que geralmente tomamos em vista de uma grande apresentação ou concurso precisam ser monitoradas por nós mesmos, já que não possuímos técnicos nos observando 100% do nosso estudo como costumam ter os atletas. As consequências que podemos ter por não medirmos corretamente nossos riscos podem sacrificar nossa carreira gravemente.

Observe de onde pode estar vindo tensão no seu estudo e tente anular qualquer ponto de stress que seu corpo possa estar exercendo sem necessidade. Antes mesmo de puxar a harpa para sua posição, observe se sua espinha dorsal está alinhada, seus ombros estão baixos, sua cabeça e pescoço em pé. Depois puxe a harpa e note se você precisa mudar esta posição em qualquer direção para tocar. Você precisa torcer o pescoço e abaixar a cabeça? precisa levantar os ombros? arregalar o olho e colocar a língua pra fora? está respirando como um touro enfurecido? tudo isso pode acontecer aleatoriamente, portanto fique de olho, grave em vídeo para observar ou peça ajuda aos parentes.

Se você está sentindo dores no pescoço ou costas, tente ajustar a altura do banco especialmente se você é uma pessoa baixa.

A avaliação de como você está estudando e tocando seu instrumento, será de grande ajuda para diminuir os riscos de adquirir problemas musculares.

Se a dor que você está sentindo não é crônica, mas causada por alguma inflamação passageira em algum trauma que você recentemente levou, trate a lesão como ela deve ser tratada e descanse. As chances desta lesão piorar por persistência no estudo, pode transformá-la em algo crônico, difícil de se resolver. Mas, tenha responsabilidade, nem sempre é possível parar por lesões menos complicadas, com cautela podemos passar por elas sem qualquer agravante.

Se você por qualquer razão está sentindo qualquer sintoma de lesão muscular crônica, não ignore os sintomas, procure um médico. O medo do médico mandar o músico parar de tocar muitas vezes nos leva a um estado tão crítico que precisamos a longo prazo realmente parar de tocar.

Você sente dores nas costas ou dores musculares ao tocar harpa? responda + que uma se desejar

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Comente o seu caso, talvez possamos ajudá-lo a analisar as causas, ou sua experiência pode servir de ajuda a outros colegas.

Por Angélica Vianna.

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Enquetes – Recentes e antigas

sexta-feira, 2. julho 2010 22:55

Todas as enquetes passadas podem ser acessadas aqui e podem ser votadas a qualquer momento

Lançada no dia 08/09/2010

Você sente dores nas costas ou dores musculares ao tocar harpa? responda + que uma se desejar

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Lançada no dia 2 de Julho de 2010

Normalmente você

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Lançada no dia 26 de Abril de 2010

Você tem uma harpa? Marque todas que forem verdadeiras

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Lançada no dia 15 de Março de 2010

Qual o nome mais adequado para toda harpa que usa chavinhas manipuladas pelas mãos?

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Lançada no dia 5 de Março de 2010

Se você ganhasse uma harpa sinfônica hoje, qual fabricante escolheria?

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Você tem harpa?

segunda-feira, 26. abril 2010 19:13

Estou lançando mais esta enquete para termos uma melhor noção da nossa realidade. Sei que são muitos os harpistas sem instrumento, e apesar de ser uma situação triste, todo harpista no futuro consegue uma harpa; então aos que ainda não possuem, guardem seu dinheirinho e não desistam, um dia vocês terão uma harpa só de vocês.

A enquete ficará tambem à exposição na página principal (menu da direita), mas tanto faz responder aqui como lá, os resultados são somados automaticamente em outro local e as respostas são completamente confidenciais.

Você tem uma harpa? Marque todas que forem verdadeiras

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Harpa Celta ou Céltica?

segunda-feira, 15. março 2010 20:22

As harpas que usam chaves manipuladas pelas mãos, no mundo inteiro foram chamadas por muito tempo de harpas Celtas ou Célticas. Hoje, poucos países adotam estes nomes, pois que a denominação dá uma impressão errônea de que o estilo de toda harpa Celta ou Céltica seria provindo do povo Celta. Existem sim, harpas específicas do estilo Celta, mas a denominação começou a ser usada de forma generalizada não para indicar a harpa do estilo de um povo ou tradição, mas para indicar toda harpa de pequeno a medio porte cuja mecânica para obter os semitons fosse através de chavinhas (ou alavancas); muitas fogem ao estilo Celta. Por este motivo, nos EUA a denominação de Non Pedal Harp (harpa sem pedais) começou a ser usada, mas foi duramente criticada pelos profissionais deste instrumento que achavam que o nome dava uma falsa impressão de inferioridade ao instrumento pela falta de pedais. Nomes como Pedal Free (Harpa livres de pedais) vieram em resposta para demonstrar a insatisfação quanto a denominação escolhida;  do lado dos profissionais das harpas de pedais, apareceram nomes como Diet Harp (irônicamente às harpas sem pedais que se denominavam “Pedal Free”).

A nomenclatura criou um briga feia entre os profissionais dos dois estilos de harpa. Lembro-me, enquanto trabalhava na loja de harpas Vanderbilt Music, nos EUA, recebermos ameaças furiosas dos harpistas “celtas” para que tirássemos do catálogo da loja o nome Non Pedal Harp. A explicação para aquele tipo de nomenclatura, no entanto, nos parecia clara, seria toda harpa que não tivesse pedais, portanto incluiria aquelas harpas que não tivessem também as chavinhas. Mas, a pressão foi criando um ar de inimizade entre os grupos, e para apaziguar, entraram em um consenso quanto a denominação deste tipo de harpa nos EUA prevalecendo o nome de Lever Harp (Harpa de chavinhas), não sendo agressivo a nenhuma das partes.

No Brasil, os nomes de Harpa Celta, Céltica, Troubadour, ainda prevalecem em muitos estados, não existindo uma nomenclatura generalizada aceita entre os profissionais. Para as harpas estritamente provindas da cultura Celta, o certo é chamá-las de Célticas de acordo com o Linguista Cesar Nardelli Cambraia, já que essas harpas são feitas, por alguém que não é celta, mas tomando como modelo aquelas feitas por algum celta. A denominação Celta seria para aquelas originalmente feitas pelos Celtas.

O nome mais antigo e tradicionalmente adquirido no nosso país (harpa Celta) me parece mais uma homenagem ao povo celta do que um nome ligado ao estilo dos instrumentos provindos da cultura celta, portanto não me parece menos correto quanto o termo céltica.

Quando falamos de harpa Celta, queremos dizer: aquelas harpas que são de pequeno a médio porte, possuem chavinhas manipuladas pelas mãos para realizar os semitons e possuem apenas uma fileira de cordas. A infinidade de modelos que se enquadram a este estilo é muito grande.

Seria necessário mudar a nomenclatura para que um nome não gere confusão ao leigo como foi feito nos EUA?
Seria necessário uma unificação no termo para que todos os profissionais usem o mesmo, ou talvez possamos continuar a usar o termo diferentemente em cada região, como a mandioca que também se chama aipim e macaxeira?

Qual o nome mais adequado para toda harpa que usa chavinhas manipuladas pelas mãos?

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Por Angélica Vianna

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