Artigo da Categoria 'Convidados Especiais'

Curativo para bolhas ou machucados por Ray Pool

segunda-feira, 18. abril 2011 21:45

Pedi permissão ao harpista Ray Pool para postar aqui seu tutorial para fazer um eficiente curativo para nossas bolhas ou machucados.
Este tutorial se encontra na sua forma original no perfil de Facebook de Ray Pool.
O texto é uma tradução do original escrito por ele (mantenha o cursor sobre cada foto para ver o texto original em inglês), e as fotos são também de sua propriedade.

Vocês podem conhecer mais sobre a carreira deste artista no seu site oficial: http://www.raypool.com/

Curativo para bolhas ou machucados:

Aqui estou eu com uma simulação de bolha na ponta do quarto dedo da mão esquerda. Esta é uma situação muito angustiante para um harpista. Este é um método para formar um curativo com esparadrapo para (1) cobrir a região lesada (2) ter mobilidade para poder tocar. Aprendi isso com Lucile Lawrence que aprendeu com Carlos Salzedo. Os melhores votos de uma rápida recuperação a todos os que têm de recorrer a esta medida. ”

"Here I am with an imitation blister on the tip of the fourth finger of my left hand. This is a very upsetting situation to a harpist. This is a method for fashioning an adhesive tape bandage that will (1) cover the blister for protection and (2) bend while playing. I learned this from Lucile Lawrence who learned it from Carlos Salzedo. Best wishes for a speedy recovery to all who have to resort to this measure"

Você precisará de esparadrapo de aproximadamente  1,3 cm e um par de tesouras.  A fita que usei é impermeável mas isso não é necessário. Foi o que encontrei na drogaria hoje.

You need 1/2" adhesive tape and a small pair of scissors. This tape happens to be waterproof. That is not necessary. It was what I found at the drug store today.

Corte um pedaço da fita de aproximadamente 15 cm

Cut off a piece of tape about six inches long.

Divida a fita na metade por cerca de 10 centímetros de comprimento.

Split the tape in half about four inches up the length.

Cole o pedaço de 5 cm (que é a largura total) sobre a polpa do dedo com a divisão da fita ainda solta, direcionada ao início da unha.

Place the two-inch piece (which is full width) over the pad of the finger with the split in the tape positioned to meet the beginning of the finger nail once it is wrapped.

Puxe a metade esquerda da fita na diagonal para cima e sobre a unha do dedo, indo para o lado oposto do dedo.

Pull the left half of the tape diagonally up and over the finger nail, heading for the opposite side of the finger.

Cubra a fita da parte frontal do dedo em um ângulo diagonal para dar mais firmeza.

Secure that diagonal piece of tape over the base of the wider, solid piece of tape to anchor it.

Faça o mesmo com a segunda metade da fita.

Perform a similar up and over diagonal positioning of the second half of the tape.

Agora você tem um curativo que está preso por suas duas “caudas”, já que eles atravessam a parte superior da unha, através do dedo e voltam em torno do lado inferior.

Pode ser que você tenha que ajustar o comprimento da peça original e os comprimentos das duas tiras para o tamanho da sua mão. (Eu tenho uma muito grande!)

You now have a secure piece of adhesive tape that covers the blistered area and is held down by its two "tails" as they cross over the top of the fingernail, across the finger and back around to the under side.  You may have to adjust the length of the original piece and the lengths of the two strips to fit the proportion of your hand. (I've got a pretty big mit!)

A fita é flexível. Não será tão confortável. Você terá a impressão de estar usando luvas enquanto toca. Mas, pelo menos, você não sentirá tanta dor e evitará agravar a situação da bolha.

The tape is flexible. It won't feel great. You'll definitely feel like you're wearing a glove when you play. But, at least, you won't have pain from continual aggravation of the blistered area.

Tutorial feito pelo harpista Ray Pool.

Futuramente postarei mais links do seu trabalho, já que ele planeja fazer vários videos tutoriais sobre diversos assuntos relacionados a harpa.

Categoria: Convidados Especiais, Dicas | (5) Comentários | Autor:

O estudo da harpa com as mãos em separado por Romero Caixeta

sábado, 12. junho 2010 15:34

O estudo da Música e, especialmente, o mundo fascinante do estudo de um instrumento musical, sem dúvida, revestem-se de características próprias, uma vez que há aspectos que devem ser respeitados – da mesma forma que um ritual preestabelecido – para que se assegurar o objetivo, que é a prática produtiva. Dentre os vários itens referentes ao estudo dos instrumentos musicais em que se produzem sons com as duas mãos (como os instrumentos de teclado e a harpa), um deles revela-se de fundamental importância para a compreensão e posterior execução fluente da peça musical, o estudo com as mãos em separado, após a primeira leitura (ou leituras iniciais) de uma peça. Neste caso, a harpa ainda tem um item a ser considerado: tocamos as cordas com as mãos mas fazemos e/ou alteramos as notas com os pés por meio dos sete pedais.

Podem ser citadas quatro finalidades para o estudo de uma peça na harpa com as mãos em separado:

1)         Assimilação: a memória motora (ou cinestésica) e a memória auditiva (ou aural) são prontamente beneficiadas, já que os movimentos e os sons produzidos pela mão em estudo terão atenção diferenciada. Cada intervalo, cada abertura, cada forma de acorde, cada salto serão sentidos e conhecidos, da mesma forma que as notas tocadas serão mais facilmente internalizadas. Tudo isso se faz com a participação ativa da consciência.

Conforme trecho de “Como devemos estudar piano”, dos autores Karl Leimer e Walter Gieseking, “Estando a cabeça, com o auxílio de um ouvido bem preparado, completamente ao par da execução, o dedo há de reproduzi-la.” (Atenção: “completamente” ao par da execução.)

2)         Compreensão da harmonia e da melodia: estes são elementos musicais intimamente relacionados e que precisam ser conhecidos pelo harpista que quer tocar com conhecimento crítico e aperfeiçoado da obra. O motivo é, a um só tempo, musical e técnico.

A melodia é o elemento que mais chama a atenção em uma peça, é o mais fácil de ser apreendido pelo ouvinte e aprendido pelo intérprete, devido ao fluxo geralmente coerente. Pode-se dizer até que é a parte mais consciente da música. A harmonia, que na grande maioria das peças é feita pela mão esquerda por trabalhar no registro mais grave, tende a ser, quando em comparação com a melodia, de percepção mais semiconsciente, subliminar.

Quando não se tem o hábito de fazer o estudo com as mãos em separado, eventuais erros de execução tendem a ser na harmonia, indicativo de que o trabalho da mão esquerda não deve ser automático.

3)         Compreensão dos parâmetros musicais: para que a produção de uma mão não mascare equívocos/ erros da outra, estuda-se em separado com dedicação ao treino do dedilhado, da intensidade, acerto rítmico, regularidade tímbrica do som produzido por dedo em relação aos demais (uma vez que os dedos têm força desigual) e ao contexto musical, sempre com atenção dirigida ao resultado e sua confirmação ou necessidade de correção em busca constante do aperfeiçoamento.

É o princípio da “autoaudição” que deve ser exercitado sempre, em qualquer peça, em qualquer pequeno trecho do estudo. Mais uma vez citando Leimer & Gieseking: “A capacidade de ouvir a própria execução com crítica e controlar constantemente seu toque deve se desenvolver sistematicamente com extrema concentração (…).” (“Como devemos estudar piano”)

4)         Mudanças de pedais: este é o aspecto do estudo que diz respeito particularmente à harpa e que, embora feito com os pés, deve ser rigorosamente praticado também quando do trabalho com as mãos separadas. Assim como a harmonia, mas nesse caso referindo-se somente ao harpista e não mais ao ouvinte, o trabalho nos pedais, com a prática constante de uma peça, tende a tornar-se subliminar, automático, sendo outra fonte de possíveis equívocos durante a execução.

Quando se trabalha com as mãos em separado, deve-se sempre praticar simultaneamente os pedais requeridos, exatamente no mesmo tempo do compasso, mesmo que sua ação não afete nenhuma nota da mão em estudo. O que se pretende, então, é buscar a fluência na execução da peça e adquirir a segurança dada pelo condicionamento, isto é, um determinado tempo de compasso significará que é o momento de movimentar o(s) pedal(is) indicado(s).

por Romero Caixeta especialmente para este blog

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HARPA CELTA – A HARPA DO BARDO por Andara Fortuna

domingo, 14. março 2010 0:16

A harpa celta – ou céltica – recebe este nome por fazer parte da história dos Celtas, civilização pagã que habitava extensas áreas da europa pré-romana, principalmente a Grã-Bretanha.
Associados às tradições dos celtas, encontramos os druídas – sacerdotes poderosos, sábios, místicos , conselheiros e juristas, e sobretudo, curadores. Mas também inspirados poetas.
Um druída, durante sua formação (que levava de doze a vinte anos), aprendia três funções, para depois dedicar-se a uma delas. Embora não fossem uma hierarquia, essas funções eram aprendidas na seguinte ordem :

Os Bardos - Guardadores da história oral, especializados na absorção e transmissão do conhecimento druídico, através dos mitos, lendas, poemas, e principalmente, das canções – que, na maior parte das vezes, era acompanhada por sua Harpa. A Harpa era o instrumento musical do Bardo.

Os Ovates - Responsáveis pela cura, e previsões de eventos através das técnicas divinatórias.Eram filósofos naturais, curadores, conhecedores dos astros, ervas, árvores e animais.

Os Druídas - Eram os sábios, sacerdotes condutores dos rituais, conselheiros dos reis, juristas das tribos.

Como eram pagãos, os druídas, assim como todos os celtas, acreditavam na sacralidade da Natureza e de todas as formas de vida.
Como estavam integrados à Natureza e a todos os seres vivos, para um druída o mundo todo era fonte de inspiração, e a vida, em todas as suas formas, era poesia, música… Daí a importância  da Tradição dos Bardos no druidismo.
Daí a importância da Harpa dentro desta cultura.

Por Andara Fortuna

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Sobre afinação na Orquestra por Myriam Rugani

domingo, 7. março 2010 14:56

Tenho a experiência de quase 30 anos tocando em orquestra, primeiro piano e, logo em seguida, harpa. Durante todos esses anos passei por vários conceitos diferentes. Foi o maestro Emílio de Cesar quem primeiro me alertou uma coisa óbvia que atualmente tornou-se prática comum: afinar a harpa um pouco mais alta do que a afinação da orquestra. Tudo bem, eu, e acredito todos os harpistas já fazem o mesmo, com resultados positivos. Vamos lá, o nosso problema é que quanto melhores são os músicos componentes do grupo, mais afinados nós “soamos”, (quanto melhor é a orquestra) uma vez que a afinação é relativa uns com os outros. Sei que só como exemplo, o segundo flautista ”chega” a sua afinação de acordo com o primeiro flautista quando necessário, e assim todos os outros instrumentos que têm a capacidade de mudar a altura do som, quer na embocadura, posição dos dedos (cordas), etc. Nós, não. Por causo disso adquiriu-se o expediente de afinar as cordas mais agudas um pouco mais altas, pois os instrumentos de sopro tendem a subir a afinação nessas regiões. Fiz isso por vários anos, sem questionar muito. Mas, pensando bem mudei de opinião e de procedimento e, atualmente afino a minha harpa na orquestra exatamente de acordo com a mesma altura. O resultado foi imediato, a harpa passou a soar muito mais brilhante. Por quê? Simplesmente por que os harmônicos passaram a soar por todo o instrumento. Se você afina a harpa em alturas diferentes você altera a somatória dos harmônicos, que resulta na diminuição da sonoridade do instrumento. O fato de ter instrumentistas lá não tão excelentes no grupo não justifica a sua harpa soar muito menos, digamos, “desregulada ” , isto é, menos harmônicos soando. O que pode ser feito é, por exemplo, se tem alguma terminação bem evidente de harpa solando com um “daqueles” que não chegam, ou passam na afinação, o melhor è chamá-los à parte num intervalo e tentar no máximo um acordo, e em último caso chegar àquela nota específica na altura “dele” ou “dela”. Pelo menos assim o estrago é menor, e pode ser desfeito com mais facilidade na primeira oportunidade que aparecer, como intervalo do concerto, contagens longas, etc.

Por Myriam Rugani
Harpista da OSMG e Professora aposentada da UFMG

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