Dica para formar glissandos em tonalidades maiores

Aprendi um macete com a harpista Eleanor Fell de como montar glissandos em tonalidades maiores que gostaria de compartilhar com vocês. É bem simples e podem ser montados sem muita matemática, apenas entendendo como funcionam as armaduras de clave.

Não vou entrar em detalhes aqui de como se monta uma armadura de clave e nem como ela funciona na formação de cada tonalidade, portanto esta publicação exige um conhecimento avançado de teoria musical, se você que está lendo aqui, não adquiriu ainda este conhecimento, não leia esta dica agora, pois poderá confundir sua cabeça.

Quem já estudou as armaduras de clave conhece bem (de cór) a ordem dos acidentes na armadura de clave:

Si  Mi  Lá  Ré  Sol  Dó  Fá      - para as tonalidades em Bemol ( ♭ )

Fá  Dó  Sol  Ré  Lá  Mi  Si      - para as tonalidades em Sustenido ( # )

Usando desta ordem que bem conhecemos, vamos aprender uma fórmula para criar glissandos tonais.

Vamos à fórmula:

Polarizar o último acidente da armadura e o acidente que viria logo após  na sequencia.

Polarizar = trocar o que é ♭ para # e o que é  # para ♭

 

Agora você só precisa saber qual a armadura de clave da tonalidade que você se encontra e assim, aplicar a fórmula em cima dela.

Exemplo: Tonalidades em bemóis:

 

Tonalidade de Lá♭ Maior:

A sequencia dos acidentes na tonalidade de Lá♭ Maior é: Si♭ Mi♭ Lá♭ Ré♭

Pela fórmula, vamos polarizar o último acidente da sequencia que é o Ré♭ (deixando-o Ré#), e o próximo acidente que seria o Sol♭ (deixando-o Sol#)

Abaixo vemos como ficariam os pedais.
Obs: o acidente em parênteses indica o próximo acidente na sequencia que não faz parte da armadura da tonalidade mas que também deve ser polarizado.

 

 

 

 

 

Outro Exemplo: A sequencia dos acidentes na tonalidade de Si♭ Maior é:  Si♭ Mi♭

Polarizamos o Mi♭ (que é o  último acidente da tonalidade) para Mi# e o próximo da sequencia que é o Lá♭ (trocamos para Lá#)

 

 

 

 

Exemplos em #:

 

Tonalidade de Lá Maior: A sequencia dos acidentes na tonalidade de Lá Maior é: Fá#  Dó#  Sol#

Vamos polarizar o último acidente da sequencia que é o Sol# (deixando-o Sol♭),  e o próximo acidente que seria o Ré# (tornando-o Ré♭)

 

 

 

 

 

 

Tonalidade de Mi Maior:

A sequencia dos acidentes na tonalidade de Mi Maior é: Fá#  Dó#  Sol#  Ré#

vamos polarizar o último acidente da sequencia que é o Ré# (deixando-o Ré♭),  e o próximo acidente que seria o Lá# (tornando-o Lá♭)


Faça o treinamento no instrumento com os pedais e toque logo após o glissando para ouvir o glissando já na tonalidade.

Se você treinar bastante, terá capacidade de montar os glissandos de forma automática e rápida.

 

Só um pequeno detalhe: A armadura de clave de Dó Maior não tem acidente nenhum, portanto iremos polarizar o primeiro acidente da turma dos bemóis e o primeiro acidente da turma dos sustenidos (é uma exceção ok?)
Ficamos assim então:

O primeiro acidente da turma dos bemóis é o Si♭ (polarizamos para Si#) e o primeiro acidente da turma dos sustenidos é o Fá# (polarizamos para Fá♭)

Ficando assim:

 

 

 

 

 

O que estamos fazendo com isso?
Estamos eliminando de forma automática o 4º e o 7º das escalas, o resultado é funcional em qualquer tonalidade.

Espero que essa regrinha ajude.

Por Angélica Vianna.

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Autor:
Datum: terça-feira, 27. março 2012 4:21
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9 Comentários

  1. 1

    É isso mesmo. Sempre usei e ajuda bastante.

  2. 2

    legal, não é fácil explicar, espero que todos entendam, porque uma vez “nos pés”, fica sempre muito fácil

  3. 3

    Angélica, tinha me esquecido dessa dica. Toda vez que tinha que montar os pedais pensando no que fazer com cada grau da escala. Nunca errei, mas a dica faz ganhar tempo.
    E quanto às tonalidades menores? As diferenças entre a escala ascendente e a descendente me trazem dificuldade para entender como devem ficar os pedais para os glissandos. Existe uma dica ou fica por conta do conhecimento da teoria?
    Romero.

  4. 4

    Romero, para os tons menores você usa esta regra para o relativo maior do tom que você quer e sobe meio tom no 7º da escala menor.
    Ex: Mi Menor > Relativo maior = Sol Maior e tem 1# na armadura. Pela regra: Fá♭ e Dó♭
    Suba meio tom do 7º da escala de Mi Menor = Ré#
    funciona melhor que apenas com o glissando do relativo puro.

    Pra ficar mais fácil, pensou num tom menor, já sobe o 7º e depois acha o relativo maior e aplica a regra.

  5. 5

    Ok. Era essa a minha dúvida. Basta aplicar a sensível.
    “Funciona melhor do que apenas com o glissando do relativo puro”: porque de fato o glissando do relativo puro é um fortalecimento, na medida do possível, da tonalidade maior, e o glissando da menor não existiria. É isso o que eu fazia com essa minha frase “pensando no que fazer com cada grau da escala”. O caminho era em cada tonalidade procurar dobrar a tônica, a 3ª maior ou a 5ª justa, e o resultado na harpa depende mesmo da tonalidade.
    Por ex: em DóM, dobra-se a tônica e a 3ª maior. Em MibM, dobra-se a tônica e a 5º justa. Em SolM, dobra-se a 3ª maior e, muito estranhamente, a 6ª menor pra fugir da 7ª, que procura outra tonalidade.

  6. 6

    Angélica, posso voltar a esse assunto de glissando? Escrevi aí em cima que nunca tinha errado; olhando com cuidado um dos diagramas em cima, fiquei com dúvida. O ex. da disposição das notas em MiM está diferente do que eu faria, pq está um glissando quase diatônico, em vez de “reforçar a tonalidade” – por sinal algo que a harpa sabe fazer e um piano não. No meu entender, um MiM ficaria assim:
    mi – fáb (tônica) – sol# – láb (3ª maior) – si – dób (5ªj) – réb – mi.
    O diagrama de LáM também ficaria diferente para mim.
    Estou equivocado?

  7. 7

    Claro que não está errado, as duas formas funcionam muito bem, a regra se aplica apenas ao 4º e 7º e é uma forma rápida de se achar o glissando, mas podemos fazê-la de várias formas.

  8. 8

    Adorei a dica Ana, Obrigada !

  9. 9

    legal Noemi, qualquer ajuda é sempre bom não é mesmo? Por isso a Eleanor Fell sempre colocava essa matéria nas palestras que ela dava, foi com ela que aprendi.

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